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Iniciaçao de Potros

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Do Trabalho inicial De Potros

O cavalo é um animal que, no seu estado selvagem,na natureza, é sempre presa e nunca predador, e por outro, por viver em manada,
é um ser vivo com alguma complexidade de comportamentos sociais. A posição
de presa faz com que seja um animal sempre muito atento e muitas vezes retraido e
medroso em relação a qualquer situação em que não se sinta confortável,
por outro lado o seu instinto social pode levar a reações específicas,
seja ele um garanhão ou uma égua, reações que em determinada situação,
devem ser avaliadas em perspectiva pelo cavaleiro que esta no comando.
Estes são factores essenciais a saber quando iniciamos o
trabalho de um cavalo jovem, já que o homem irá ser o elemento de
contacto com este mundo tão pouco natural onde ele passará a viver a
partir do momento que o sua doma se inicia.
O trabalho com um cavalo, como tudo na vida, não passa de uma sequência
de opções que vamos tomando e onde devemos ter em conta estes factores,
bem como aspectos de natureza de disciplina, relacionados com a
conformação e o desenvolvimento do cavalo em questão e, naturalmente os
aspectos técnicos. Tudo isto, “regado” com uma boa dose de bom senso e
alguma humildade, normalmente permite levar o trabalho a bom porto, ou
seja, transformarmos determinado animal, que “em bruto” é somente um
animal vistoso, num animal com uma função, que, regra geral, se torna
mais harmonioso, e agradável para quem o utiliza.
Hoje em dia a criação cavalar sofreu uma evolução muito positiva, já
que é raro encontrarmos poldros para domar que estejam
completamente “selvagens”, mas, ainda assim, manda o bom senso que se
tenham algums cuidados de maneira a evitar acidentes bem como
traumas nos animais, já que a fase do desbaste irá marcar o modo como o cavalo se
irá relacionar com o homem para o resto da sua vida. É importante
tentar, o mais possível, ter uma rotina de procedimentos que nos
permita ter segurança e confiança em todos os passos, bem como
transmitir confiança ao cavalo nesses mesmos passos.
Quando iniciamos o trabalho com um cavalo jovem, devemos levar em conta que, seja qual for a sua raça, ou conformação, ao ser sujeito ao peso
do cavaleiro sobre o seu dorso, há uma imediata mudança no seu
equilíbrio natural, o que pode provocar reacções várias que devem ser
avaliadas tendo em conta, essencialmente, a conformação e o
temperamento do indivíduo.
Introdução ao manejo, rotinas de trabalho, adaptação a novos hábitos
alimentares, arreios e trabalho inicial à guia podem levar algum tempo,
mas acho que se deve evitar saltar fases para tornar o doma mais
rápida. Sem querer usar frases feitas, o tempo que se perde na doma, é tempo que se ganha mais tarde, pois cria bases de
comportamento básico mais sólidas.
Uma situação comum na doma é vermos potros que têm dificuldades de
equilíbrio com o cavaleiro e que tendem a acelerar as passadas e,
quando o cavaleiro tenta abrandar o movimento tomando o contacto nas
rédeas, o cavalo reaje com a mão e ainda anda mais. Para solucionar
este problema, observamos muitas vezes a utilização de rédeas fixas ou
corrediças para controlar a atitude do pescoço do cavalo e com isso
obrigá-lo a aceitar a mão e reduzir a velocidade. Desta forma nunca
permitimos ao cavalo aprender a andar e a equilibrar-se com o cavaleiro
no seu dorso, o que provavelmente, se vai traduzir em dificuldade em
fazer seja o que for sem o suporte da mão do cavaleiro. Este é o típico
exemplo da “mão que vem para o cavalo” e não “o cavalo que vem para a
mão”.
O objectivo desta primeira fase de treino do cavalo é exactamente o
recuperar do equilíbrio natural que foi perturbado pelo peso do
cavaleiro. Podemos mesmo dizer que a Baixa Escola não é mais do que o
período de treino do cavalo em que este recupera todo o seu equilíbrio
natural através dos exercícios básicos de picadeiro, que, com uma
ginástica de flexibilização e fortalecimento lateral e longitudinal do
seu corpo, nos permite a manutenção de vários ritmos dentro e entre os
andamentos, bem como as mudanças de direcção em equilíbrio.
Um cavalo sem grandes problemas de conformação ou de temperamento, no fim desta fase deve:
– Conseguir manter o ritmo a passo, trote ou galope, sem a ajuda
constante do cavaleiro e estar iniciado nas variações de amplitude
dentro dos vários andamentos;
– Conseguir manter uma linha a direito ou em círculo;
– Manter uma atitude e contacto estável sem suporte do cavaleiro;
– Transitar do passo a trote e de trote a galope com fluidez e harmonia;
– Ter sido introduzido aos exercícios de marchas laterais, cedências à perna e espáduas a dentro;
Pessoalmente, costumo dizer que devemos tentar trabalhar um cavalo novo
um “furo” ou dois acima do seu andamento natural, obviamente mantendo a
calma e sem provocar desequilíbrios, para que, mais tarde, quando
quisermos utilizar ajudas que “retêm” algum movimento, o cavalo ainda
mantenha a vontade de andar para diante sem que haja necessidade do
cavaleiro constantemente “empurrar”. Em inglês o termo self carriage é
bastante explícito para o que pretendo dizer que se cria nesta fase. Só
com este self carriage se pode atingir a concentração com brilho.
Outro ponto que parece importante realçar é que, quando começamos a ter
um contacto correcto e estável num cavalo novo, no seu equilíbrio
horizontal, este contacto não deve ser muito “ligeiro” (variando
naturalmente de caso para caso), no sentido habitual da palavra
ligeiro, visto que a ligeireza aparece por uma transposição de peso
para a pós-mão e consequente flexão dos curvilhões, abaixamento das
ancas, subida do garrote e subida da nuca, devendo o cavaleiro ter a
preocupação de verificar com exercícios vários que este contacto não
seja suporte.

NOTAS SOBRE EQUITAÇÃO, por Miguel Ralão Duarte

fonte: dressage portugal

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