Já vai a Passo?
18/02/2010
Bom, se já pôs a passo, então aproveito para lhe dizer que o cavalo tem só três andamentos: o passo, o trote e o galope. Não há meios-termos nem aproximações; qualquer alternativa é um logro.
O passo cumpre-se em 4 tempos, o trote em 2 e o galope em 3 mas isso são coisas que já lhe ensinaram ou que Você já observou e não me vou quedar agora com mais explicações. Todos os andamentos devem ser decididos e nunca titubeantes. Você sabe o que quer e para onde vai, não tem que hesitar.
Mas sabe mesmo para onde vai ou é o cavalo que sabe para onde Você quer ir? Quero acreditar que o cavalo não recebeu nenhuma procuração para decidir para onde Você há-de ir. Então o melhor é ser Você a dar as ordens.
Quer ir em frente? Então mantenha-se direito no selim, com as suas mãos e pernas em posição simétrica. Ponha a cabeça do cavalo a seguir no sentido que Você pretende e o corpo há-de seguir a cabeça … esperemos.
Mas alguma coisa impede a linha recta e há que fazer uma curva. Por exemplo para a direita. Sim, bem sei que lhe disseram para abrir a rédea direita. Esqueça! Não faça isso, a menos que esteja a montar um poldro em início de desbaste. A solução é quase contrária ao que lhe ensinaram antes. Contraia os dedos da mão direita, encoste a rédea direita contra o pescoço do cavalo e faça cócegas com a barriga da sua perna direita no flanco do cavalo, no sentido de trás para a frente. A rédea esquerda encostada docilmente ao pescoço do cavalo, junto ao garrote. Desse modo Você encurvou o cavalo à direita e pô-lo em condições naturais de percorrer um arco de círculo para a direita.
Agora mantenha a cabeça do cavalo no percurso que Você pretende e a curva para a direita faz-se com naturalidade, sem mãos extravagantes e, portanto, sem perda de impulsão.
Vice-versa para a esquerda et ceteris paribus nos demais andamentos.
Mas veja os automobilistas que descaem nas curvas para o lado de dentro. Se Você não tomar cuidado, o cavalo tenderá a descair para dentro da curva, debruçando-se sobre essa espádua e não dando muito tempo para começar a sentir dores por excesso de peso nessa mão. Daí, não tardará que Você sinta o seu cavalo a mancar, chame o Veterinário e se zangue com ele que nunca mais lhe tira a manqueira do cavalo. E como não encontra solução para o problema, decide desfazer-se do cavalo, eventualmente mandando-o para o talho …
E afinal a solução era muito simples: bastava não deixar o cavalo descair para dentro nas curvas, à moda dos maus automobilistas. Não se zangue com o Veterinário, deseje-lhe um bom fim-de-semana e desta vez prescinda dos serviços dele.
Faça as curvas assim: depois de ter o cavalo devidamente encurvado como acima referi, pese ligeiramente na sua nádega do lado contrário ao da curva e, com a ponta da chibata, toque ao de leve na garupa do lado da curva de modo a que o cavalo tenda a atirar o peso para fora da curva. Não queira andar em mais do que uma pista pois isso são outros exercícios. Estamos a tratar de uma só pista em que os pés do cavalo pisam o mesmo percurso das mãos. Apenas se verifica uma ligeira tendência para seguir a força centrífuga (que nestas velocidades é apenas teórica), contrariando a centrípeta que é bem real.
O ‘Le Ponti’, montado por Patrícia Lima e Sousa, curva à direita em conformidade com todas as regras e já sem vestígios da manqueira da direita de que padecia anteriormente
RESUMO:
Para curvar à direita,
• Encurve o cavalo contraindo os dedos da mão direita
• Encoste a rédea direita contra o pescoço do cavalo
• A rédea esquerda docilmente encostada ao pescoço, junto ao garrote
• Faça cócegas de trás para a frente com a barriga da sua perna direita no flanco do cavalo
• Pese ligeiramente na sua nádega esquerda
• Toque com a ponta da chibata ao de leve na garupa do lado direito
Autor
Henrique Salles da Fonseca


